fernahh.com.br

desenvolvedor e de buenas na web.

A web criada na era das startups

Eu curto startups. Acredito fortemente na economia criativa para mudar o mundo. Mas nem todo projeto precisa ser uma startup.

Pensando nisso, esses dias me peguei imaginando se o projeto WWW tivesse sido criado por um empreendedor dos últimos dez anos, na era das startups. Será que estaríamos em um estágio parecido com o atual?

Imaginamos o seguinte cenário: 2016. Um cara de 35 anos, chamado Tim Berners-Lee. Há mais ou menos 10 anos ele vem trabalhando em pesquisas para tonar o compartilhamento de informações mais acessível. Ao invés de publicar um artigo explicando a ideia, Berners-Lee opta por mostrá-la a investidores. Obviamente, o projeto despertou interesse de algumas aceleradoras. Porém, todas questionavam a forma de monetizar e lucrar com o projeto WWW. Diversas ideias surgiram, como cobrança de assinatura por acesso, ou que para cada clique em um hyperlink um anúncio abriria junto (tipo PirateBay), entre outras bizarrices. O importante era lucrar com projeto.

Se esse cenário fosse real, provavelmente Tim Berners-Lee seria um dos empreendedores mais conhecidos do mundo. Daria entrevistas explicando como era sua rotina para ser mais produtivo. Compraria outras empresas e estaria na lista de mais influentes da Forbes. Porém, a web como conhecemos hoje não existiria. Grandes e-commerces não existiriam e provavelmente nem a era das startups existiria.

Caso você não saiba, existiu um projeto concorrente chamado HyperCard, que funcionava apenas no Mac OS. Logicamente, fracassou.

A web só é o que é porque ela não é proprietária e funciona mesmo se você for pobre ou rico, branco ou negro, homem ou mulher.

A web foi revolucionária porque ela é pública e inclusiva.

Nem tudo precisa gerar valor em dinheiro pra fazer sentido. Nem tudo precisa ser uma startup.