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Estado em componentes web

Nunca se falou tanto em componentes para a web como no último ano. O React, biblioteca que tem como objetivo facilitar o desenvolvimento de aplicações com componentes, se tornou líder de mercado. Outros frameworks surgiram com a mesma finalidade, e até mesmo a versão 1.x do AngularJS dá suporte ao padrão de desenvolvimento baseado em componentes.

Vamos ver aqui um dos principais conceitos que precisamos saber quando vamos desenvolver algo dessa forma, stateful e stateless components.

Os conceitos

Toda aplicação tem um estado. Através dele, temos acesso a informações que podem ser lidas e modificadas, dependendo do paradigma em que a aplicação foi escrita.

Quando falamos de componentes, eles podem ter seus próprios estados ou somente fazer leitura do estado de outro componente. Sendo assim, classificamos eles de duas formas: stateful e stateless.

Stateful

Chamamos algo de stateful quando ele possui informações sobre o estado da aplicação, além de poder modificá-lo, sabendo quais foram as mudanças no passado, presente e (as vezes) as futuras. Podemos exemplificar isso através de uma função impura:

  // estado.
  const position = 1;

  // função impura: tem acesso há um
  // estado que não faz parte de seu
  // escopo.
  const increment = () => position + 1;

  increment(); // retorna 2.

Stateless

Diferentemente de algo stateful, quando temos aplicações, funções ou componentes stateless, sabemos que ele não tem informação sobre o estado. Sendo assim, o termo stateless nos diz que um determido instrumento não muta o estado de algo, assim temos a previsiblidade de que dada uma entrada, teremos sempre a mesma saída.

  // estado.
  const position = 1;

  // função pura: ao invés de ter
  // ter acesso ao estado, ela
  // recebe o estado como parâmetro.
  const increment = p => p + 1;

  increment(); // retorna 2.

Componentes na era pré-React

O tópico “componentes” não é novo. Há muito tempo o mercado exigia produtividade maior no desenvolvimento de produtos web. Antes mesmo da era dos frameworks, já tínhamos tentativas de resolver esse problema.

A primeira grande biblioteca que tentou reutilizar código a fim de agilizar o desenvolvimento front-end foi a jQueryUI. Ela tem suas soluções baseadas em JavaScript. Porém, com a evolução do CSS, novos frameworks surgiram sem o uso pesado de script. O primeiro e sem dúvidas mais popular, foi o Bootstrap.

Bootstrap

Apesar de não ser pioneiro, podemos dizer que o Bootstrap foi quem popularizou a ideia de componentes para a web. Reza a lenda que 1% da web já foi desenvolvida com esse framework. Caso você já tenha sacado a diferença dos conceitos, já deve saber que os componentes do Bootstrap são exclusivamente stateless. Isso porque eles não guardam e nem podem mudar o estado da aplicação (ao menos se você forçar isso, rs).

O ponto negativo de componentes agnósticos a frameworks, como o Bootstrap, é que para “plugá-los” a sua aplicação, você deverá fazer um wrapper para controle de estados. É por esse motivo que existem forks de outros frameworks como AngularMaterial ou React-Bootstrap. No caso do AngularMaterial, os componentes são escritos com diretivas.

Diretivas do AngularJS

As diretivas do Angular 1.x popularizaram os chamados custom components. Através delas podemos inserir comportamento em um elemento do DOM, controlando ele e seus filhos. Caso você nunca tenha tido contato com diretivas, sugiro que dê uma lida na documentação.

De forma resumida, podemos dizer que uma diretiva nada mais é que uma marcação em um elemento HTML que será interpretada pelo Angular. A sacada boa que o framework teve foi basear-se nas ideias da especificação dos Web Components. Tanto que um dos maiores interessados nessa especificação era o Google, dono do AngularJS.

Para entendermos melhor, vamos ver um exemplo na prática. Abaixo temos uma diretiva que representa um componente de alerta.

See the Pen Alert Directive by Luiz Fernando Rodrigues (@lfernahh) on CodePen.

Essa diretiva é stateless. Porém, o controle do estado da aplicação pode ser facilmente violado através do $scope e $rootScope . Ambos os valores dão acesso a outros escopos da aplicação, o que pode ser perigoso se você não tiver um bom controle em seu código.

É recomendado que quando você for escrever um componente usando uma diretiva, sempre deixe o escopo dela isolado através de um objeto literal:

  angular
    .module('alert', [])
    .directive('uiAlert', function() {
      return {
        scope: {},
        template: '<div ng-transclude></div>',
        transclude: true
      };
    });

Mesmo assim, você ainda pode emitir eventos ou ler informações para o $rootScope, acessar e mudar o estado de escopo de cima através do $scope.$parent . Essa liberdade existe por causa da natureza do framework, que ficou bastante conhecido pela estrutura MV* e o famoso two-way data binding.

Escolhas e liberdades como essa são as maiores críticas que o Angular recebe. Isso acontence porque a divisão de responsabilidades dele é fácilmente burlável. Não é difícil encontrar projetos que possuem lógica de negócio em diretivas, o que muita vezes a torna stateful, quando como boa prática ela deveria apenas manipular o DOM.

Pensando em resolver esse problema, na versão 1.5, foi introduzido o component method, e é sobre ele que vamos falar agora.

Component Method do AngularJS

Segundo a própria documentação do Angular, o angular.component() é um tipo especial de diretiva. Ele nos dá mais controle, e agora sabemos definitivamente quando algo deve ser stateless ou stateful. É importante lembrar que esse método não substitui o papel das diretivas. Pelo contrário, ele é até mais restritivo e serve para criarmos uma aplicação baseada em componentes.

A grande vantagem do método component() é permitir que uma aplicação seja one-way dataflow, sem o uso de $scope, $rootScope e afins. Além disso, a app ficará mais próxima de paradigmas do Angular2.

Para exemplificar, vamos ver o exemplo abaixo. Nesse caso, o alerta deve desaparecer quando digitado a string angular no input disponível.

See the Pen Angular Component App by Luiz Fernando Rodrigues (@lfernahh) on CodePen.

Perceba que quem mantém o estado é o componente mais externo, que é stateful. O componente de input diz ao seu pai qual o valor digitado no campo, e o pai irá alterar o estado da aplicação, fazendo com que o alerta desapareça.

O angular.component() possui lifecycle hooks que foram inspirados pelo React, a biblioteca que tem como objetivo criar uma app baseada nessa estrutura de componentes.

React Component

De forma simples, componentes React podem ser representados por uma função (ou classe) que recebe parâmetros (props) e retorna um markup através do método render() . Para exemplificar, vamos desenvolver nosso componente de alerta usando uma função pura e renderizá-lo através do React.

See the Pen React Alert Component by Luiz Fernando Rodrigues (@lfernahh) on CodePen.

A diferença entre usar uma função para definir componentes ao invés de extender a classe React.Component , é que extendendo a classe (ou usando o helper method React.createClass()) temos acesso aos chamados “lifecycle methods”. Através deles temos acesso sobre quando um componente será montando ou quando ele já está montando.

Agora que já sabemos, resumidamente, como funcionam implementações de componentes com React e AngularJS, vamos entender os conceitos stateful e stateless aplicados a componentes.

Stateless Component

Componentes stateless dizem como as coisas se parecem, ou seja, ele não mantém estado e nem pode alterá-lo. Suas responsabilidades são renderizar informações e emitir eventos para um componente stateful, que será responsável por manter o estado.

Stateful Component

Em março de 2015, Dan Abramov escreveu um artigo chamado Presentional and Container Components, que até hoje é usado como referência para explicar esse assunto. Na ocasião, ele divide componentes nessas duas categorias, que também são conhecidas com os termos fat e skinny, smart e dumb e o que ficou denotado, stateful e stateless.

Abramov classifica container components (stateful) com uma série de items. Levando eles em consideração, podemos dizer que um componente stateful diz como as coisas funcionam, isso é: mantendo o estado e passando ele para outros componentes. Seu componente stateful será responsável por guardar o estado, fazer requisições ajax e compor uma parte de sua app. Na prática, um componente stateful é representado por componentes como <AppContainer> ,<NewsContainer> ou <UsersList> .

Vejamos o exemplo abaixo:

See the Pen React FrameworksContainer by Luiz Fernando Rodrigues (@lfernahh) on CodePen.

Perceba que componente <FrameworksContainer> é quem possui o estado e passa o conteúdo para seu filho <FrameworkItem>, que é stateless.

Conclusão

Esses dois conceitos são os primeiros assuntos que você deve aprender ao começar a estudar frameworks que provem uma API para desenvolvimento de aplicações baseadas em componentes. Eles são o ponto de participa para concepção de conceitos que se tornaram absolutos em 2016 e serão fortemente cobrados pelo mercado em 2017. A partir da racionalização do estado em componentes para a web, React, Angular2, programação funcional e outros termos começam a fazer sentido em meio a tanta informação.

Espero ter ajudado!