fernahh.

Eu tentei segurar minhas lágrimas

06:44 da manhã, recebi a pior ligação da minha vida. Era minha mãe ligando.

  • Nando, tu viu o Chorão?
  • Não mãe, o que tem o Chorão?
  • (…suspiros…)
  • O que foi mãe?
  • Ele morreu, Nando.

Foi assim que fiquei sabendo que o maior ídolo da minha vida foi embora. Inacreditável.

Diferente de quando perdi entes de minha família, eu não chorei, só não conseguia acreditar. Fui ver o noticiário e era tudo verdade. Liguei a TV pra fazer algum barulho porque não queria ouvir música nenhuma. Até que começa o programa da Ana Maria Braga com “Te Levar”, hit do segundo álbum do Charlie Brown. Foi o suficiente pra eu derramar minhas primeiras lágrimas.

Chorei feito criança.

Tentei trabalhar e não consegui, nenhum segundo se quer. Vagando pelas redes sociais, meio há trechos de letras do Chorão, piadas levianas e comentário idiotas sobre ele, foi quando ouvi essa música. Provavelmente a música fala sobre o término do casamento dele. Mas como para muitos fãs, eu ouço e ela e não vejo nada além de uma carta de despida.

Chorão, por Calvin Furtado

A foto acima peguei no facebook do Calvin Furtado.

Não era só meu artista favorito

Ouço Charlie Brown Jr. desde que me conheço por gente. Desde que falavam que era música de marginal. Isso mesmo, bem antes do Chorão fazer os hits melódicos dos últimos álbuns. E também não deixei de ouvir quando eles fizeram sucesso pra cacete.

Pra mim ele sempre foi muito mais que um artista. Ouvi, li e assisti todas as entrevistas que ele fez. Decorei todas as músicas. Interpretei as letras dele como auto-ajuda. Diversas vezes levantei com canções dele. Na oportunidade que tive de falar cara a cara com o Chorão, travei. Mas os poucos minutos que tive foi o sufiente. Falei do dia que minha mãe tentou tirar uma foto com ele depois de um show e não conseguiu. Chorão pediu desculpas por isso e me interpretou em segundos, apontou o dedo pra mim e disse:

“Cara, já que tu veio aqui pra falar da tua mãe, cuida dela, pelo jeito ela é muito importante pra ti.”

Nunca vou esquecer isso. Talvez foi um dos dias mais nervosos da minha vida.

Quando ele cometia os seus erros, como as brigas com Marcelo Camelo e Champignon, apesar de todo mundo ver ele como um babaca, eu via ele como um ser humano igual a gente, que erra tem seus erros expostos a todo mundo. E como de clichê, todo mundo julga quem erra.

Tentei escolher algum trecho de música ou alguma música pra anexar nesse texto mas não consegui. Foda-se.

Não sei quando vou conseguir ouvir Charlie Brown sem chorar. Mas sei que vou ouvir e levar tudo que aprendi com ele até o fim da minha vida.