fernahh.

Tava certa

A diferença de idade entre eu e minha mãe é de mais ou menos quinze anos. Por esse motivo, comparado-a com as mães de meus colegas de aula, ela era considerada uma “mãe jovem”, característica do qual ela sempre refugou.

Por várias vezes, apesar das preferências de gosto, ela sempre evitou dizer que era minha “amiguinha”, e que na verdade, por trás daquelas tatuagens da Legião Urbana e do Charlie Brown, havia uma pessoa durona e que não daria chances pra mais remota chance de eu e ela parecermos mais amigos do que mãe e filho. E ela tava certa, por muitas vezes ela demostrou várias características de uma “mãe padrão”.

Existe um senso comum que une foratemers e lulaladrãs: o que mãe fala sempre se realiza. E é verdade. Todo mundo sabe.

Ela disse que quando eu ficaria mais velho iria achar graça em bossa nova, tava certa, hoje um dos meus desejos é ouvir bossa nova na praia do Arpoador. Disse que com o passar do tempo eu gostaria de assistir futebol, tava certa outra, me associei ao Internacional (que década horrível!). Também me alertou que essa ideia de que ficar pouco tempo em determinada empresa era ruim, eu acreditava nos textos de empreendedores de palco que estavam errados, ela tava certa. Me envergonho de dizer que já li o livro da Bel Pesce.

Tem uma canção do Emicida que fala “Num confunda diploma com vivência e visão”, ele tá certo.

Agora to aqui, em Dezembro de 2017, onde pela primeira vez na vida montei uma árvore de Natal, e que ainda por cima tem flocos de neve herdados da cultura imperialista americana, que falei mal por anos na minha juventude. Eu sempre achei isso ridículo!

Mas o que mãe fala sempre se realiza, e a minha outra vez… adivinha? Isso mesmo, tava certa.