fernahh.

Tem que dar tempo pra música

O título desse post foi uma frase que o meu companheiro de podcast, Jan Clebsh, falou no último episódio do No Talo (quem quiser ouvir, clica aqui). Pura verdade.

Atualmente (quase) ninguém dá tempo pra música. Acredito que seja um reflexo do formato digital. Não acho isso ruim. Cerca de 90% das músicas que eu tenho são digitais. Porém, a facilidade com que nós conseguimos músicas é o que problema. Vivemos em um sistema onde a maioria só dá valor pra algo se for pago. Aqui no Brasil, principalmente, quase ninguém compra música. Sem sentir o peso no bolso, a música foi perdendo prioridade na vida das pessoas.

Não posso dar uma de jovem hipster hipócrita e falar que antigamente as coisas eram melhor, justamente porque quando comecei a gostar de música os vinis estavam deixando de ser fabricados. Quando eu tinha uns 11, 12 anos já usava aqueles softwares de download (Kazaa, Soulseek, etc). Mas eu lembro que a minha mãe comprava um CD por causa de uma música que tinha ouvido no rádio e acabávamos ouvindo o álbum todo. Essa era a diferença! Você pagava, logo tirava tempo pra curtir o álbum inteiro! De cabo à rabo.

Eu te entendo, Charlie Brown

Morte ao shuffle

Se tem algo que eu culpo de verdade é o shuffle. É por causa dele que pessoas acabam baixando uma, duas músicas de cada artista no máximo. Aí vão lá, jogam para o dispositivo que vão ouvir e deixam tocando. Sem curtir. Sem prestar atenção. Quando você faz isso não está ouvindo música! É como se fosse apenas trilha sonora do teu trabalho. Algo totalmente mecânico.

Ouvir música fazendo planilha, programando, layoutando, enfim, trabalhando, não é dar tempo pra música. Aliás, é bom quando ela te tira do sério, te desconcentra do que está fazendo. Diversas vezes quando estou trabalhando ouvindo música e toca algo que eu realmente gosto não consigo fazer mais nada. Vou ver vídeo, começo a cantar, prestar atenção na letra, ou seja, começo a curtir o som. Façam isso!

Dê tempo pra música

Baixe um álbum e ouça da primeira à última, sem fazer mais nada. Apenas ouça música. Preste atenção nas letras. Veja como o artista se preocupa em fazer com que elas sejam ouvidas na ordem que ele propôs. Só quando você ouvir e pirar em algum som é que esse texto vai fazer sentido.

Compre discos

Há poucos dias saiu uma reportagem no G1 sobre a volta dos discos de vinil. Isso é ótimo! Encaro as bolachas mais como algo sentimental do que pela qualidade. Você vai lá, coloca tocar e deixa rolando. Geralmente sem trocar a faixa porque é difícil fazer isso, ainda bem.

Estou torcendo para o álbum de estréia das Vespas Mandarinas, Animal Nacional, seja lançado em vinil. Ele soa como discos clássicos que você ouvia da primeira à última. Não só pela influência dos anos 80, mas pelo fato de você mesmo conseguir perceber que há um lado A e um lado B. Uma sugestão, vá atrás desse álbum, é um ótimo material pra você começar a gostar de ouvir um disco inteiro. Parece que cada som foi pensado para preparar seus ouvidos pra ouvir a próxima.

Trabalho com tecnologia mas se tratando de música estou cada vez mais à favor do analógico. Chame seus amigos para ouvir música, comentar sobre elas e você vai ver como é legal as emoções inesperadas que riffs e letras boas nos proporcionam.